Cão em consulta — leishmaniose canina

A leishmaniose visceral canina é uma das doenças mais graves que afetam cães no Brasil. É zoonose (pode infectar humanos) e requer atenção especial em todas as regiões, principalmente no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Esse guia foi elaborado com base no Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral do Ministério da Saúde.

O que é a leishmaniose canina?

É uma doença infecciosa causada pelo protozoário Leishmania infantum (sinônimo: L. chagasi), transmitida pela picada de um inseto conhecido como flebotomíneo — também chamado de "mosquito-palha" ou "birigui". O inseto é noturno, pequeno (2-3 mm) e silencioso.

Barueri, Osasco e toda a Grande São Paulo são consideradas áreas de transmissão ativa segundo a vigilância epidemiológica.

Sintomas principais

A leishmaniose se desenvolve de forma lenta (meses a anos) e afeta múltiplos órgãos:

  • Pelagem: queda de pelo, principalmente ao redor dos olhos, orelhas e focinho
  • Pele: feridas crônicas que não cicatrizam, descamação, unhas compridas e deformadas (onicogrifose)
  • Emagrecimento progressivo
  • Aumento de linfonodos (ínguas palpáveis)
  • Apatia, inapetência
  • Sangramento nasal (epistaxe)
  • Lesões oculares (conjuntivite, uveíte)
  • Alterações renais e hepáticas em fase avançada
Muitos cães ficam assintomáticos por meses, mas já estão infectados e são reservatórios. Por isso o teste anual é tão importante.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por exames laboratoriais específicos:

  • Teste rápido imunocromatográfico (TR DPP®) — triagem
  • ELISA — confirmatório
  • PCR ou imunofluorescência indireta (quando há dúvida)
  • Parasitológico (medula óssea ou linfonodo) — diagnóstico definitivo

O MAPA (Ministério da Agricultura) autoriza kits de diagnóstico específicos. Resultado positivo deve ser sempre confirmado por 2 metodologias diferentes antes de decidir conduta.

Prevenção — a parte mais importante

1. Coleiras impregnadas com deltametrina

Atualmente são consideradas a medida preventiva mais eficaz e acessível. Marcas aprovadas (Scalibor®, por exemplo) duram 4-6 meses. Começar a usar desde filhote.

2. Repelentes tópicos mensais

Pipetas com permetrina, imidacloprida + flumetrina. Importante: nunca use permetrina em gatos — é letal para felinos.

3. Telas em janelas, principalmente na área do canil/quintal

O flebotomíneo é pequeno — precisa de tela fina (malha 1 mm ou menor).

4. Evitar acúmulo de matéria orgânica no quintal

Folhas caídas, restos de ração, fezes atraem flebotomíneos. Limpeza regular diminui significativamente o risco.

5. Evitar exposição no horário crítico

O flebotomíneo é mais ativo entre o crepúsculo e o amanhecer. Evite deixar o cão do lado de fora nesse período.

6. Vacinação

Há vacinas disponíveis no Brasil (Letifend®, LeishTec®). Redução de risco de desenvolver doença clínica é parcial (não é 100%). A vacina é indicada apenas em cães sorologicamente negativos, após avaliação veterinária. Requer protocolo inicial + reforço anual.

Tratamento

Desde 2016, o Brasil autoriza o uso veterinário do Milteforan® (miltefosina) — único medicamento registrado no MAPA para tratamento de leishmaniose canina em território nacional. O protocolo padrão:

  • Miltefosina por 28 dias (comprimidos via oral)
  • Alopurinol mantido por 6 meses a vários anos
  • Tratamento de suporte (nutricional, dermatológico, renal)
Importante: o tratamento reduz a carga parasitária e melhora a clínica, mas não elimina o parasita completamente na maioria dos casos. O cão tratado pode continuar sendo fonte de infecção, razão pela qual medidas de prevenção (coleira, repelente) são mantidas mesmo após tratamento.

Leishmaniose e saúde pública

A leishmaniose visceral humana é potencialmente fatal se não tratada. Crianças, idosos e imunossuprimidos são mais suscetíveis. Por isso o cão positivo deve ser acompanhado veterinariamente e o tutor notificado para cuidados com a saúde familiar.

O Ministério da Saúde NÃO recomenda eutanásia compulsória de cães positivos desde as novas diretrizes (2016), desde que a família opte por tratamento responsável com miltefosina.

Teste anual de leishmaniose na Duubpets

Diagnóstico precoce salva vida. Clínica veterinária em Barueri.

Agendar Exame

Referências

  1. Ministério da Saúde (Brasil). Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral. Secretaria de Vigilância em Saúde, atualizações regulares. saude.gov.br
  2. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Nota Técnica 11/2016 — autorização do Milteforan.
  3. Brazilian Society of Veterinary Medicine (SBMV). Protocolos de diagnóstico e tratamento de LVC. leishvet.org
  4. Solano-Gallego L, Miró G, Koutinas A et al. LeishVet guidelines for the practical management of canine leishmaniosis. Parasites & Vectors (2011-atualizado).