
A diabetes mellitus é uma doença endócrina relativamente comum em cães, especialmente fêmeas acima de 7 anos. Com diagnóstico precoce e manejo correto, o cão diabético pode ter vida longa e de qualidade. Guia elaborado com base no Small Animal Internal Medicine de Nelson & Couto.
O que é diabetes em cães?
É uma doença caracterizada pela deficiência de insulina ou pela resistência à sua ação. Sem insulina suficiente, a glicose não entra nas células e se acumula no sangue, causando hiperglicemia e cascata de sintomas. Em cães, quase 100% dos casos são equivalentes à diabetes tipo 1 humana (insulino-dependente).
Sintomas clássicos — "os 4 P"
- Poliúria — aumento da quantidade de urina
- Polidipsia — sede excessiva
- Polifagia — fome aumentada
- Perda de peso — mesmo comendo muito
Outros sinais:
- Urina com aparência "doce" ou pegajosa
- Catarata (pode ser súbita — alerta clássico)
- Infecções urinárias recorrentes
- Pelagem opaca
- Letargia
- Nos casos descompensados (cetoacidose): vômito, fraqueza, desidratação, hálito "adocicado"
Fatores de risco
- Fêmeas não castradas (progesterona contribui com resistência insulínica)
- Idade acima de 7 anos
- Obesidade
- Raças predispostas: Poodle, Schnauzer, Dachshund, Beagle, Labrador
- Histórico de pancreatite
- Uso prolongado de corticoides
Diagnóstico
- Glicemia em jejum (glicose > 200 mg/dL de forma persistente)
- Glicosúria (glicose na urina)
- Frutosamina sérica (mostra glicemia média das últimas 2-3 semanas)
- Perfil bioquímico + hemograma + urinálise
- Teste para exclusão de causas secundárias (cushing, pancreatite)
Tratamento
Insulinoterapia — pilar do tratamento
- Aplicação subcutânea a cada 12 horas, geralmente junto com a alimentação
- Tipo mais usado em cães: Lantus (insulina glargina) ou Caninsulin/Vetsulin
- A dose é ajustada conforme curva glicêmica (exame seriado em casa ou na clínica)
- Aplicação com seringa específica (U-40 ou U-100, conforme insulina)
Alimentação
- Dieta específica para diabéticos (Hills w/d, Royal Canin Diabetic) — rica em fibras, controlada em carboidratos
- Refeições em horários fixos (mesma hora todos os dias), geralmente a cada 12h junto com a insulina
- Evitar petiscos com açúcar ou carboidrato simples
Castração
Fêmea não castrada deve ser castrada após estabilização — o ciclo estral causa variação hormonal severa, prejudicando o controle.
Exercício
Atividade física regular e consistente ajuda no controle. Evitar exercícios intensos súbitos em cães em insulinoterapia (risco de hipoglicemia).
Hipoglicemia — a emergência mais comum
Pode ocorrer por dose excessiva de insulina, exercício intenso ou perda de refeição. Sinais:
- Fraqueza, tremores
- Desorientação
- Convulsões
- Inconsciência
Acompanhamento
- Consulta + curva glicêmica a cada 3-6 meses quando estabilizado
- Frutosamina trimestral
- Urinálise semestral
- Monitoramento domiciliar da sede, apetite, peso e disposição
- Ajuste de dose de insulina SEMPRE pelo veterinário — nunca por conta própria
Prognóstico
Com manejo correto, o cão diabético pode viver 5-10+ anos após diagnóstico, com excelente qualidade de vida. A catarata é praticamente inevitável (pode ser cirúrgica quando indicada). A cetoacidose é o maior risco agudo.
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Agendar ConsultaReferências
- Nelson RW, Couto CG. Medicina Interna de Pequenos Animais, 5ª ed., Elsevier Brasil (2015), capítulo sobre diabetes mellitus.
- Rucinsky R, Cook A, Haley S et al. AAHA Diabetes Management Guidelines for Dogs and Cats. American Animal Hospital Association. aaha.org
- Manual MSD Veterinário. Diabetes Mellitus in Dogs.
- Ettinger SJ, Feldman EC, Côté E. Textbook of Veterinary Internal Medicine, 8ª ed., Elsevier (2017), seção de endocrinologia.









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