Cão em consulta — dirofilariose

A dirofilariose, popularmente conhecida como "verme do coração", é uma doença parasitária grave e silenciosa que pode levar anos para manifestar sintomas. Tratar é caro, arriscado e demorado — prevenir é simples e acessível. Guia baseado no American Heartworm Society Guidelines.

O que é dirofilariose?

É uma infecção causada pelo nematódeo Dirofilaria immitis. Os vermes adultos (15-30 cm de comprimento) vivem no coração, pulmões e grandes vasos do cão, causando danos progressivos ao sistema cardiovascular.

A transmissão NÃO é por contato direto. Ela ocorre exclusivamente pela picada de mosquito infectado (várias espécies, incluindo os comuns no Brasil: Culex, Aedes, Anopheles).

Regiões de alto risco no Brasil

  • Litoral — principalmente Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, São Paulo
  • Amazônia e Pantanal — taxas elevadas
  • Cidades próximas a rios, lagos, áreas alagadas

Barueri e Grande São Paulo têm risco moderado — áreas próximas a represas (como Pirapora do Bom Jesus, Cotia) têm prevalência maior.

Ciclo da doença

  1. Mosquito pica cão infectado e ingere larvas (microfilárias)
  2. Larvas se desenvolvem no mosquito por 2-4 semanas
  3. Mosquito pica cão saudável, inoculando larvas infectantes (L3)
  4. Larvas migram pelo corpo do cão por 6-7 meses até alcançar coração e artérias pulmonares
  5. Lá, se tornam vermes adultos, podendo viver 5-7 anos
  6. Fêmeas produzem microfilárias que circulam na corrente sanguínea do cão

Sintomas — o problema é que são tardios

A dirofilariose pode ser assintomática por 1-2 anos enquanto os vermes se desenvolvem e danificam o cão. Quando aparecem:

  • Tosse crônica (especialmente após exercício)
  • Fadiga e intolerância ao exercício
  • Perda de peso progressiva
  • Respiração rápida ou ofegante
  • Ascite (barriga inchada)
  • Desmaios ou síncope
  • Em casos graves: síndrome da veia cava (emergência cirúrgica)

Diagnóstico

  • Teste rápido antigênico (detecta vermes fêmeas adultas) — realizado em consulta, 10 min
  • Pesquisa de microfilárias em sangue periférico
  • Radiografia de tórax (alargamento da artéria pulmonar)
  • Ecocardiografia (pode ver vermes adultos no coração)

A American Heartworm Society recomenda teste anual em todos os cães, mesmo com prevenção.

Tratamento — complexo e de alto risco

O tratamento é em várias fases:

  1. Estabilização — corticoides, doxiciclina (elimina Wolbachia simbiótica do verme), restrição de exercício
  2. Adulticida — injeções de melarsomina (único medicamento eficaz contra vermes adultos)
  3. Repouso obrigatório — durante 8-12 semanas, exercício mínimo, a morte súbita dos vermes pode causar tromboembolismo pulmonar
  4. Microfilaricida — após eliminar adultos
  5. Acompanhamento — exames em 6 e 12 meses

Custo estimado: R$ 3.000-8.000, dependendo da clínica e dos exames complementares.

Prevenção — é o caminho racional

1. Antiparasitários mensais

A principal forma de prevenção é um antiparasitário oral ou tópico mensal com ivermectina, milbemicina ou selamectina. Exemplos disponíveis no Brasil:

  • NexGard Spectra (oral, sabor carne)
  • Heartgard (oral)
  • Revolution (tópico)
  • Advocate (tópico)

2. Antes de iniciar: TESTE NEGATIVO

Em cães acima de 7 meses, faça teste antes de começar. Dar antiparasitário em cão já infectado pode causar choque anafilático pela morte abrupta de microfilárias.

3. Controle de mosquitos no ambiente

  • Telas nas janelas
  • Eliminar água parada
  • Repelentes tópicos (permetrina em cães)
Dica prática: cães que tomam antiparasitário mensal do tipo NexGard Spectra já têm proteção tripla (dirofilariose + pulgas/carrapatos + vermes intestinais). Otimiza o protocolo.

Teste anual e proteção do seu cão

Dirofilariose é silenciosa. Agende check-up com teste específico na Duubpets.

Agendar Exame

Referências

  1. American Heartworm Society. Current Canine Guidelines for the Prevention, Diagnosis, and Management of Heartworm Infection in Dogs, edição atual. heartwormsociety.org
  2. Manual MSD Veterinário. Dirofilariose canina.
  3. Ettinger SJ, Feldman EC, Côté E. Textbook of Veterinary Internal Medicine, 8ª ed., Elsevier (2017), capítulo cardiovascular.
  4. Labarthe N. Dirofilariose no Brasil: situação epidemiológica e estratégias de controle. Clínica Veterinária (publicações brasileiras).